Existem partidas em que um centroavante participa da construção, acumula finalizações e domina completamente o adversário. O dérbi de Manchester não ofereceu esse cenário para Erling Haaland. O City ficou com um jogador a menos ainda no primeiro tempo e precisou abandonar boa parte do controle que normalmente procura exercer.
É justamente esse tipo de atuação que mais me impressiona em Haaland. Seus números naturalmente chamam atenção, mas reduzir sua importância à quantidade de gols significa ignorar o tamanho da segurança que ele oferece ao time. Existem atacantes que precisam participar constantemente para entrar na partida. O camisa 9 consegue passar períodos recebendo poucas bolas e, ainda assim, permanecer preparado para transformar uma única chegada em vantagem. Contra o United, essa característica novamente apareceu.
A expulsão de Phil Foden aos 23 minutos poderia ter mudado completamente a história do clássico. O rival passou a ter superioridade numérica, acertou a trave e encontrou condições para pressionar, enquanto o City precisou competir de uma maneira diferente. Foi nesse cenário desconfortável que Haaland apareceu aos 60 minutos para marcar o único gol do confronto. A jogada acabou cercada de controvérsia posteriormente, mas não muda minha leitura sobre a capacidade do atacante de estar preparado quando o jogo oferece uma oportunidade.
Haaland oferece algo que poucos times possuem
Para mim, esse talvez seja um dos maiores privilégios que Maresca herdou de Guardiola. Um treinador pode modificar sistema, circulação de bola e comportamento defensivo, mas encontrar alguém capaz de decidir com tamanha frequência é muito mais complicado. O novo comandante não precisa construir um goleador do zero. Ele já possui um atacante que obriga qualquer adversário a permanecer atento durante 90 minutos, porque uma falha de posicionamento pode ser suficiente para definir a partida.
O começo da temporada reforça essa impressão. Antes mesmo do clássico, Haaland já aparecia novamente entre os principais goleadores da Premier League, enquanto o City havia vencido suas três primeiras partidas do campeonato. A vitória em Old Trafford manteve a equipe com aproveitamento perfeito: quatro jogos e 12 pontos, atrás do Arsenal somente no saldo de gols. Mesmo em uma mudança tão profunda de comando, a presença do norueguês ajuda a diminuir bastante o tamanho da transição.
Os Citizens precisaram de muito menos para encontrar seu gol. Não considero justo colocar toda essa diferença exclusivamente nos centroavantes, porque futebol depende de funcionamento coletivo, mas ter alguém como Haaland modifica completamente a margem de erro de uma equipe. Às vezes, jogar melhor simplesmente não significa ser mais decisivo.

Atacante segue sendo peça fundamental na equipe
Acredito que a temporada pode acabar mostrando uma versão ainda mais importante do goleador. Durante boa parte da era Guardiola, ele foi visto como a peça final de uma máquina extremamente dominante. Agora, com Maresca, talvez fique ainda mais evidente o quanto o próprio atacante consegue sustentar o time quando o funcionamento não é perfeito.




