É de conhecimento geral que Substituir Pep Guardiola talvez fosse um dos trabalhos mais complicados disponíveis no futebol europeu. Foram dez anos de um treinador que transformou completamente o Manchester City, conquistou seis vezes a Premier League e colocou o clube definitivamente entre as grandes potências do continente.
Por isso, eu esperava que a transição exigisse bastante tempo. Os primeiros jogos de Enzo Maresca, porém, começam a apresentar um cenário mais positivo do que muitos poderiam imaginar e vem animando os torcedores pensando no restante da temporada.
Existe uma ligação evidente entre os dois treinadores, e acho impossível ignorá-la nesta análise. Ele trabalhou como auxiliar de Guardiola justamente no City e participou da comissão técnica na temporada da tríplice coroa de 2022/23. Depois construiu sua própria trajetória, passou por Leicester e Chelsea e retornou a Manchester para ocupar o cargo mais pesado de sua carreira.
Início na Premier League é bom
O começo na Premier League oferece argumentos importantes a favor do italiano. São quatro partidas e quatro vitórias, deixando o City com 12 pontos e atrás do Arsenal somente pelo saldo de gols. Ainda considero uma amostragem muito pequena para qualquer conclusão sobre disputa pelo título, mas começar dessa maneira reduz bastante a pressão que naturalmente existiria sobre um treinador responsável por suceder a maior referência recente da história do clube.
Mais do que os números, o dérbi contra o Manchester United talvez tenha apresentado a resposta mais interessante até agora. O City perdeu Phil Foden expulso ainda aos 23 minutos e precisou disputar mais de uma hora em inferioridade numérica dentro de Old Trafford. Mesmo assim, conseguiu competir, encontrou o gol com Haaland no segundo tempo e sustentou a vantagem até o final. Na minha visão, vitórias nessas circunstâncias ajudam muito um novo treinador a conquistar confiança dentro do elenco.
Manchester City passa por transformação após Guardiola
Também seria injusto avaliar Maresca como alguém que simplesmente recebeu o mesmo Manchester City deixado por Guardiola. O clube atravessou uma reformulação importante no mercado, com diversas saídas e chegadas para iniciar esse novo ciclo. O próprio treinador reconheceu recentemente que ainda está integrando reforços e que existe bastante espaço para evolução. Isso faz com que o aproveitamento perfeito neste começo tenha, para mim, ainda mais valor.

Ao mesmo tempo, não acho que o italiano precise romper completamente com tudo aquilo que funcionou anteriormente. O City escolheu justamente um profissional que conhece as ideias de Guardiola e trabalhou ao seu lado. A Premier League analisou sua contratação como uma opção de continuidade, e considero esse caminho bastante lógico. O desafio está em aproveitar uma estrutura vencedora sem passar toda a temporada sendo tratado apenas como uma extensão do antigo comandante.
É justamente aí que acredito estar o ponto mais interessante dos próximos meses. O resultado no dérbi ajuda nesse processo porque mostrou uma equipe capaz de se adaptar a uma situação completamente diferente daquela planejada antes da partida. Ganhar com dez jogadores, fora de casa e contra o maior rival não define uma temporada, mas oferece um primeiro momento marcante para esse novo trabalho.
Por isso, ainda considero muito cedo para dizer que o City encontrou definitivamente o sucessor ideal de Guardiola. Quatro rodadas não apagam uma década e tampouco garantem títulos no fim da temporada. O que mudou é que os primeiros sinais começam a diminuir uma dúvida que parecia enorme há alguns meses.




