Existem gols que não entregam uma vitória, mas ajudam a mostrar quem está preparado para assumir responsabilidade em momentos complicados. Para mim, o empate de Matheus Cunha diante do Fulham entra exatamente nessa categoria. O Manchester United caminhava para outra derrota em um começo de temporada bastante irregular quando o brasileiro apareceu aos 89 minutos e garantiu o 1 a 1 em Craven Cottage.
O contexto torna o gol ainda mais importante. Antes de enfrentar o Fulham, o United tinha conquistado apenas uma vitória nas quatro primeiras rodadas da Premier League e acabara de ser eliminado pelo Brighton na Copa da Liga depois de abrir 2 a 0. Michael Carrick reconheceu que as últimas semanas haviam sido ruins e tratou a partida deste domingo como uma oportunidade importante para mudar a direção da equipe.
A resposta coletiva, porém, ficou novamente abaixo do necessário. O United criou bastante durante a primeira etapa, mas teve dificuldades para transformar volume em eficiência. Depois, um gol contra de Lisandro Martínez colocou o Fulham em vantagem aos 63 minutos e aproximou Carrick de mais um resultado negativo. Foi nesse cenário que Cunha conseguiu oferecer aquilo que estava faltando, uma ação decisiva no último terço.
Cunha precisa transformar momentos em regularidade
Aos 89 minutos, o brasileiro recebeu a oportunidade e finalizou para buscar o empate, contando também com um desvio na defesa que tirou Bernd Leno da jogada. Não foi suficiente para transformar a atuação do United em uma boa partida ou esconder os problemas apresentados pela equipe. Ainda assim, garantiu um ponto quando a derrota parecia praticamente definida.

Para mim, esse é justamente o próximo desafio de Matheus Cunha em Manchester. O atacante já demonstrou diversas vezes que possui capacidade para decidir partidas. Em janeiro, por exemplo, marcou aos 87 minutos na vitória por 3 a 2 sobre o Arsenal no Emirates. Também havia balançado as redes diante do próprio Fulham na vitória por 3 a 2 em fevereiro. Não parece faltar personalidade para aparecer em jogos importantes.
O que ainda precisa aparecer com maior frequência é essa influência durante sequências maiores de partidas. Cunha iniciou os quatro primeiros jogos do United nesta Premier League, mas chegou ao duelo deste domingo com apenas uma assistência na competição. Para um atacante que possui liberdade e responsabilidade dentro do setor ofensivo, considero natural que exista uma cobrança para transformar participação em números com mais regularidade.
Manchester United precisa de mais jogadores decisivos
Também considero injusto colocar toda essa responsabilidade sobre o brasileiro. O United terminou a quinta rodada com apenas cinco pontos e vive um início no qual os problemas passam por praticamente todos os setores. O próprio empate com o Fulham mostrou isso.
Por outro lado, momentos como esse ajudam a definir hierarquias dentro de um elenco. Matheus Cunha não salvou a temporada do Manchester United ao marcar contra o Fulham, muito menos eliminou a pressão existente sobre Carrick. O que fez foi lembrar que possui uma característica valiosa para um time em dificuldades, capacidade de aparecer quando o cenário está contra ele. Agora, o passo seguinte é transformar esses lampejos decisivos em protagonismo constante.




