A imagem de Vini Jr., Kylian Mbappé e Konaté antes da partida entre Real Madrid e Elche chamou atenção mesmo antes de a bola rolar. Os três jogadores receberam uma camisa com uma mensagem de apoio à população de Ceuta, mas decidiram utilizá-la de maneira diferente dos demais atletas.
A vestimenta trazia a frase “Todos somos caballas”, referência aos moradores de Ceuta, cidade espanhola localizada no norte da África que atravessa uma crise migratória. Os três jogadores dobraram a camisa na altura do peito, impedindo que a mensagem fosse vista integralmente. A atitude provocou uma reação pública de Javier Tebas, presidente da LaLiga.
Tebas questiona postura de Vini Jr. e Mbappé
Javier afirmou que a ação tinha caráter institucional e que os atletas deveriam seguir o protocolo estabelecido para a campanha. Segundo Tebas, a iniciativa foi autorizada pela LaLiga e a participação dos clubes ocorreu de forma voluntária. “São atos institucionais, são atos de clube, não são atos pessoais em que você tenha que manifestar a sua opinião pessoal“, declarou o mandatário.
O episódio aconteceu antes do jogo entre Elche e Real Madrid, pela sexta rodada do Campeonato Espanhol. A campanha já havia sido realizada em outras partidas da competição, entre elas Levante x Barcelona e Villarreal x Betis, com diferentes níveis de adesão dos clubes e jogadores.
A discussão ganhou outra dimensão porque Ceuta vive um cenário de forte tensão desde o fim de julho, quando dezenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira a partir do Marrocos. A maioria retornou ao país vizinho, mas milhares permaneceram no território espanhol, provocando uma crise local.
Mbappé explica decisão e amplia debate
Depois da repercussão, Mbappé explicou por que optou por não mostrar a mensagem completa. O francês afirmou que mantém solidariedade à população de Ceuta e às vítimas da crise, mas disse que sua intenção era não estabelecer uma hierarquia entre diferentes sofrimentos relacionados ao episódio.
“Foi uma decisão dos clubes incluir a camisa, usá-la. Nós, jogadores, tivemos que usá-la. A primeira coisa que quero dizer é que tenho total solidariedade com Ceuta e todas as vítimas. Porque antes de ser jogador, sou humano. Mas também quis fazer um gesto e expressar meus pensamentos a todos os imigrantes que perderam suas vidas e que também vivem em condições difíceis”, explicou.
O Real Madrid, por sua vez, permitiu que os jogadores decidissem individualmente como participar da ação. A posição ajuda a explicar por que alguns atletas exibiram integralmente a mensagem enquanto outros preferiram não fazê-lo. Entretanto, Vini Jr. e Konaté ainda não se posicionaram oficialmente.




