O Real Madrid pode encontrar nos movimentos de Kylian Mbappé uma alternativa importante para enfrentar o Barcelona neste domingo (25), pelo Campeonato Espanhol. A equipe de Hansi Flick costuma adiantar seus defensores para pressionar os adversários e recuperar a posse no campo ofensivo. Essa postura, entretanto, exige atenção aos jogadores que atacam o espaço deixado atrás da última linha. O francês possui características para explorar essa região, principalmente quando consegue iniciar suas corridas antes da recuperação dos marcadores. A questão para José Mourinho será oferecer condições para que o atacante receba a bola sem precisar disputar cada jogada em desvantagem numérica.
A suspensão de Vinícius Júnior torna essa situação ainda mais relevante. Sem o brasileiro, o Real Madrid perde uma alternativa importante de condução pelo lado esquerdo e precisa reorganizar a maneira como distribui suas ameaças ofensivas. Mbappé pode assumir maior responsabilidade nas ações em profundidade, mas não necessariamente precisa ocupar o corredor habitualmente utilizado pelo companheiro. Sua presença em regiões centrais permite explorar os intervalos entre os defensores, enquanto outros jogadores oferecem amplitude. Essa distribuição será fundamental para evitar que o adversário concentre a marcação sobre o francês.
O atacante chega ao clássico como uma das principais referências ofensivas do Real Madrid. Sua capacidade de acelerar após receber a bola e finalizar com poucos contatos pode representar uma ameaça diante de uma defesa posicionada longe do próprio gol. Entretanto, o desempenho do francês dependerá menos da quantidade de lançamentos recebidos e mais da qualidade dessas oportunidades. Um passe realizado sob pressão, por exemplo, pode facilitar a antecipação dos zagueiros. Para explorar a velocidade de Mbappé, o Real Madrid precisará reconhecer quando existe tempo suficiente para executar a jogada.
A linha alta utilizada por Flick não representa apenas uma escolha arriscada. O posicionamento adiantado permite ao Barcelona encurtar o campo, aproximar seus setores e pressionar rapidamente o adversário após a perda da posse. Quando essa pressão funciona, o jogador que tenta lançar a bola encontra pouco espaço para levantar a cabeça e identificar um companheiro. O problema aparece quando a primeira linha de marcação é superada. Nesse momento, os defensores precisam proteger uma área extensa, muitas vezes correndo em direção ao próprio gol. É nessa mudança de direção que Mbappé pode encontrar uma vantagem.
Mbappé pode explorar o espaço entre lateral e zagueiro do Barcelona
Uma das possibilidades envolve posicionar Mbappé próximo ao último defensor e iniciar a corrida no instante em que o companheiro prepara o passe. O tempo do movimento será determinante. Se o francês acelerar cedo demais, poderá ser flagrado em impedimento; caso demore, permitirá que a marcação acompanhe sua trajetória. A vantagem está em reconhecer o momento em que o portador da bola consegue executar o lançamento. Essa coordenação pode permitir que o atacante receba já orientado para o gol, diminuindo a necessidade de controlar a bola de costas para os marcadores.
Os deslocamentos diagonais oferecem outra alternativa. Mbappé pode começar a jogada em uma posição mais central e atacar o intervalo entre lateral e zagueiro, obrigando os defensores a decidir quem acompanhará sua movimentação. Quando essa comunicação falha, o atacante encontra espaço para receber sem enfrentar uma disputa direta. A corrida também pode deslocar um marcador e abrir uma região para a chegada de outro jogador. O movimento, portanto, não precisa terminar necessariamente com uma finalização do francês para contribuir com a construção ofensiva do Real Madrid.
A resposta do Barcelona dependerá da coordenação entre seus defensores. Caso Pau Cubarsí e Gerard Martín formem a dupla de zaga, precisarão administrar as coberturas quando Mbappé atacar os corredores internos. Um dos defensores poderá acompanhar o movimento, enquanto o outro protege a região central e observa a chegada de possíveis finalizadores. Essa organização exige atenção à posição dos laterais, que podem estar avançados no momento da perda da posse. Se o Barcelona conseguir manter as distâncias entre seus jogadores, terá melhores condições de neutralizar as corridas do francês sem abandonar completamente sua proposta de pressionar alto.

A participação do goleiro também merece atenção. Uma defesa adiantada exige que o jogador responsável pela meta acompanhe a distância entre a última linha e a própria área. Quando um lançamento ultrapassa os zagueiros, a decisão de sair ou permanecer próximo ao gol pode determinar o resultado da jogada. Mbappé pode aproveitar uma hesitação para chegar primeiro à bola, mas também precisará controlar o primeiro toque para não permitir a recuperação dos marcadores. O francês terá vantagem principalmente quando conseguir receber em movimento e direcionar a bola para a finalização antes da aproximação defensiva.
Bellingham e Güler têm funções diferentes para acionar o francês
Jude Bellingham pode desempenhar um papel importante na superação da primeira pressão do Barcelona. O inglês possui capacidade para receber em regiões congestionadas, proteger a bola e avançar por meio de conduções. Caso consiga ultrapassar um marcador, poderá obrigar a defesa adversária a recuar ou abandonar posições para interromper sua progressão. Esse deslocamento pode criar o intervalo necessário para a corrida de Mbappé. A principal contribuição de Bellingham, nesse cenário, não estaria apenas no último passe, mas na capacidade de transportar a bola até uma região em que o lançamento se torne mais perigoso.
Arda Güler oferece uma solução diferente. O turco pode acelerar a construção com passes verticais e mudanças de direção, sem depender de longas conduções para superar a marcação. Sua qualidade técnica permite procurar companheiros posicionados entre as linhas ou inverter a jogada quando o Barcelona concentra jogadores em determinado setor. Para Mbappé, essa característica pode ser especialmente útil nas mudanças rápidas do lado da bola. Se Güler encontrar o francês antes do ajuste da última linha, o atacante poderá receber em condições mais favoráveis para explorar a profundidade.
Yan Diomande aparece como uma alternativa para ocupar os corredores e oferecer uma ameaça diferente daquela representada por Mbappé. Sua velocidade pode ser utilizada para enfrentar laterais em situações individuais e impedir que a defesa catalã concentre jogadores exclusivamente na região central. Dependendo do posicionamento escolhido por Mourinho, o jovem poderá alongar o campo ou participar de movimentos em direção à área. O importante será manter uma distribuição ofensiva que ofereça mais de um caminho para avançar. Sem essa variedade, o Barcelona poderá antecipar os passes destinados ao francês.
O Real Madrid também precisará cuidar das segundas bolas após os lançamentos. Quando um passe em profundidade não encontra Mbappé, a jogada não termina necessariamente naquele momento. A bola pode ser afastada para uma região ocupada pelos meio-campistas, criando uma nova disputa pela posse. Se o Barcelona recuperar esse segundo contato com liberdade, terá condições de iniciar um ataque contra uma equipe que acabou de projetar jogadores à frente. Mourinho precisará manter cobertura próxima à origem dos lançamentos, permitindo que o Real Madrid sustente a pressão sem comprometer sua organização defensiva.
Pressão de Flick pode dificultar lançamentos do Real Madrid
Flick possui alternativas para reduzir o impacto das corridas de Mbappé sem necessariamente recuar toda a equipe. Uma delas é aumentar a pressão sobre o jogador responsável pelo passe, impedindo que ele tenha tempo para identificar o movimento do francês. Outra envolve ajustar a cobertura dos laterais, reduzindo os intervalos entre os defensores nos momentos em que o Real Madrid recupera a posse. O Barcelona também pode variar a altura de sua última linha conforme a posição da bola. Essas respostas mostram que a velocidade do atacante não será suficiente caso os visitantes não consigam superar a organização coletiva adversária.
A ausência de Vinícius também pode influenciar a maneira como o Barcelona distribui sua marcação. Sem a ameaça habitual do brasileiro pelo corredor esquerdo, a equipe de Flick poderá direcionar maior atenção às regiões ocupadas por Mbappé. Para evitar esse cenário, o Real Madrid terá de utilizar movimentações complementares, com jogadores oferecendo opções curtas enquanto outros atacam a profundidade. Uma aproximação de Bellingham, por exemplo, pode atrair um marcador e criar espaço para a corrida do francês. A circulação de bola será importante para impedir que o ataque se torne previsível e dependa exclusivamente de lançamentos longos.
Na minha avaliação, a principal oportunidade do Real Madrid não está simplesmente em colocar Mbappé para correr contra uma defesa adiantada. O diferencial será conseguir superar a pressão do Barcelona com a bola controlada e reconhecer o instante em que a última linha fica vulnerável. Bellingham pode contribuir com conduções, Güler oferece precisão nos passes e os jogadores de lado precisam impedir a concentração da marcação. Se Mourinho conseguir coordenar essas funções, o francês terá condições de transformar pequenos espaços em oportunidades reais. Caso contrário, a linha alta de Flick poderá funcionar como uma ferramenta para afastar Mbappé do jogo, e não como uma fragilidade a ser explorada.




