O valor de mercado de Vinicius Junior despencou. Segundo a nova análise do Transfermarkt, o atacante do Real Madrid está avaliado em 130 milhões de euros (R$ 726 milhões na cotação atual), muito abaixo dos 200 milhões de euros (R$ 1,117 bilhão) que já chegou a valer. A queda de 70 milhões de euros, aproximadamente R$ 391 milhões, acompanha justamente um período em que o brasileiro deixou de ser o protagonista do ataque merengue.
O auge aconteceu em 2024. Candidato à Bola de Ouro e decisivo nos principais momentos da temporada 2023/24, o camisa 7 chegou ao teto de 200 milhões de euros depois de disputar 39 partidas, marcar 24 gols e distribuir 11 assistências. Naquele momento, além dos números, havia a percepção de que praticamente todo o funcionamento ofensivo do Real Madrid passava pelo brasileiro.
Curiosamente, a produção estatística não sofreu um desabamento proporcional ao valor de mercado. Em 2025/26, foram 22 gols e 14 assistências em 53 jogos. A diferença está no peso dessas participações dentro da equipe. Desde a chegada de Kylian Mbappé, o protagonismo ofensivo mudou de mãos, e o ponta deixou de ser o dono do ataque.
Essa mudança ajuda a explicar por que a desvalorização não pode ser analisada apenas pela quantidade de gols e assistências. Aos 26 anos, Vini Jr. saiu da condição de jogador mais valioso do mundo para aparecer somente como o terceiro ativo mais caro do próprio elenco merengue. Seu futebol continua tendo enorme impacto, mas a percepção de domínio individual diminuiu.
O que Vini Jr. precisa para reassumir o protagonismo?
O primeiro passo é recuperar a agressividade no um contra um. A melhor versão do brasileiro aparece quando ele recebe aberto pela esquerda e imediatamente desafia o marcador, seja atacando por fora ou cortando em direção à área. Essa insistência obriga o adversário a enviar cobertura e altera toda a estrutura defensiva.
Também é fundamental voltar a explorar a profundidade. Vini não pode se transformar apenas em um atacante que espera a bola no pé. Sua explosão é perigosa quando consegue atacar as costas do lateral ou o intervalo entre lateral e zagueiro. A presença de Mbappé pode ajudar nesse aspecto: quando o francês abandona a referência, o camisa 7 tem espaço para atacar por dentro e chegar ao gol em velocidade.
Outro ponto passa pela agressividade dentro da área. O jogador que chegou perto da Bola de Ouro não era somente um ponta excepcional no drible. Recuperar esse repertório pode aumentar novamente seu peso sem exigir que o Real Madrid devolva a ele exatamente a mesma função que possuía antes da chegada do francês.
Nem tudo, porém, significa retornar ao passado. José Mourinho passou a exigir maior participação defensiva, intensidade na pressão e trabalho sem bola, aspectos que podem deixar o atacante ainda mais completo. O desafio é juntar essa evolução ao jogador imprevisível de outras temporadas. Aos 26 anos, ainda existe tempo para uma nova ascensão: drible, aceleração, profundidade e presença na área continuam sendo suas principais armas.

Mbappé valoriza e mostra contraste no Real Madrid
Kylian Mbappé ajuda a dimensionar como a mudança de protagonismo pesa nessa análise. Quando chegou ao Real Madrid, em julho de 2024, o francês estava avaliado em 160 milhões de euros (R$ 894 milhões na cotação atual). Na atualização mais recente do Transfermarkt, alcançou 200 milhões de euros (R$ 1,117 bilhão). Enquanto um dos principais ativos merengues perdeu valor, o novo protagonista ganhou no mesmo indicador.
O desempenho ajuda a sustentar esse contraste. Mbappé soma oito gols e duas assistências em oito partidas nesta temporada e chega também impulsionado pela artilharia da Copa do Mundo. Hoje, é ele quem concentra boa parte das responsabilidades ofensivas do Real Madrid. Isso não significa que Vinicius Junior tenha deixado de ser fundamental, mas mostra como a hierarquia mudou.




