Custar 63 milhões de euros, ter nível para ser titular e ainda assim sequer entrar em campo pela Ligue 1 parece, à primeira vista, uma contradição. É exatamente o cenário de Illya Zabarnyi no PSG. Contratado em agosto de 2025 com a expectativa de conquistar cada vez mais espaço, o ucraniano tornou-se uma peça importante do elenco, mas nunca conseguiu ameaçar de maneira consistente Marquinhos e Willian Pacho.
Illya Zabarnyi tem características para jogar mais no PSG
Os números desta temporada deixam a diferença de hierarquia evidente. Segundo dados do Transfermarkt, o camisa 6 disputou apenas duas partidas e acumulou 130 minutos, sem nenhuma aparição pela Ligue 1. Pacho, por outro lado, esteve em campo oito vezes e chegou a 694 minutos, enquanto o capitão brasileiro soma seis jogos, 540 minutos e três gols. A distância é grande demais para ser ignorada.
Ainda assim, eu não enxergo essa diferença como reflexo direto da qualidade de Zabarnyi. Aos 24 anos e com 1,89 m, o defensor reúne velocidade, força e mobilidade para atuar em uma equipe que posiciona sua última linha longe da própria área. Com a bola, o ucraniano também apresenta recursos compatíveis com as exigências de Luis Enrique.
Consegue participar da construção desde trás, encontrar passes verticais e manter tranquilidade quando pressionado. Na minha visão, essa combinação é importante porque o PSG não pode ter no banco um zagueiro que obrigue a equipe a mudar completamente seu comportamento sempre que um dos titulares precisar sair.
A primeira temporada na França, inclusive, já mostrou que existe confiança. Foram 37 partidas, e em determinados momentos o defensor chegou a formar dupla com Pacho quando Marquinhos foi preservado. O problema atual é hierárquico: Zabarnyi pode ter nível de titular, mas precisa superar dois jogadores que oferecem características muito específicas e já estão completamente adaptados ao funcionamento coletivo do time.
Marquinhos e Pacho explicam a hierarquia de Luis Enrique
É justamente nessa comparação que encontro a principal explicação para os poucos minutos. Marquinhos funciona como o organizador da última linha. Sua experiência, leitura e comunicação ajudam a determinar quando a defesa deve avançar ou recuar. Mesmo que o concorrente seja hoje mais jovem e tenha maior potência física, retirar o brasileiro significaria abrir mão de uma referência.
Pacho apresenta um argumento diferente para Luis Enrique. O equatoriano consegue abandonar a linha, perseguir adversários e defender para frente com agressividade, além de reunir força e velocidade nos duelos. É por isso que não vejo o zagueiro ucraniano como uma contratação que deu errado.
Marquinhos organiza, Pacho agride e o ex-Bournemouth aparece como uma alternativa capaz de oferecer um pouco das duas coisas, especialmente velocidade, antecipação e cobertura em campo aberto. Aos 24 anos, ainda existe tempo para que desenvolva justamente o aspecto que pode levá-lo a outro patamar dentro do elenco: maior comando sobre a última linha.

Imagem gerada pelo ChatGPT.
O investimento de 63 milhões de euros valeu a pena?
É impossível ignorar que o PSG desembolsou 63 milhões de euros (R$ 397 milhões na cotação da época) para tirá-lo do Bournemouth em 2025. É um investimento muito alto, principalmente quando outras alternativas do elenco, como Lucas Beraldo, custaram menos. Olhando somente para a relação entre preço e minutos, entendo que exista espaço para questionar o gasto.
Mas eu também vejo a contratação por outra perspectiva. Um elenco que pretende disputar todos os grandes títulos precisa sobreviver a lesões, suspensões e mudanças de contexto sem sofrer uma queda brusca de nível. O camisa 6 oferece exatamente essa segurança e, aos 24 anos, ainda pode assumir responsabilidades maiores no futuro.




