A ausência de Marta na convocação de Arthur Elias para os amistosos contra a Argentina chama atenção porque acontece a nove meses da Copa do Mundo Feminina de 2027. Aos 40 anos, a camisa 10 ficou fora justamente de uma Data Fifa importante para a construção do grupo que disputará o Mundial em casa, mas o contexto indica que a porta ainda não está fechada.
A atacante se recuperou recentemente de uma lesão e participou apenas dos dois últimos jogos do Orlando Pride, entrando no segundo tempo em ambos. O momento merece ser interpretado com cuidado.
A ausência de Marta é um alerta, não uma sentença
O maior sinal de alerta para Marta está na falta de sequência. Os últimos jogos pela Seleção Feminina aconteceram contra os Estados Unidos, em junho: ela foi relacionada para o primeiro amistoso, mas não entrou, e atuou apenas nos 15 minutos finais do segundo. No clube, voltou recentemente de lesão e ainda não retomou uma condição de titular. Isso pesa em uma comissão que está justamente avaliando rendimento e minutagem para definir o elenco da Copa.
Ainda assim, seria precipitado transformar a convocação de outubro em uma decisão antecipada sobre o Mundial. Há uma diferença importante entre não ser chamada para uma Data Fifa e deixar de fazer parte dos planos de uma Copa do Mundo. Além disso, o Brasil Feminino ainda terá dois amistosos contra o Japão entre novembro e dezembro, na última janela internacional do ano. Se Marta recuperar ritmo, tiver sequência no Orlando e voltar a apresentar desempenho competitivo, haverá tempo para recolocar seu nome no debate.
Marta também parte de uma posição que nenhuma outra jogadora brasileira consegue reproduzir completamente. Ela é a maior artilheira da história da Seleção e da Copa do Mundo, com 17 gols em Mundiais. Na Copa América de 2025, foi eleita a melhor jogadora do torneio e marcou duas vezes na final contra a Colômbia, participando diretamente do título conquistado por Arthur Elias.
O que o Brasil perde sem a camisa 10?
Dentro de campo, a ausência representa a perda de uma jogadora capaz de criar em espaços curtos, decidir em bolas paradas, atrair defensoras e produzir uma jogada diferente quando o plano coletivo não funciona. Também existe um componente de experiência: Marta disputou seis Copas e está se preparando para tentar chegar à sétima, justamente no primeiro Mundial feminino realizado no Brasil. Essa bagagem não aparece apenas nas estatísticas, mas influencia a forma como uma equipe encara jogos de alta pressão.
Por outro lado, a ausência também obriga o técnico da Seleção Brasileira a acelerar uma transição que já faz parte do trabalho do treinador. Desde que assumiu, ele convocou 99 jogadoras e ampliou bastante o número de atletas observadas. A lista contra a Argentina tem nomes como Kerolin, Priscila, Jhonson, Gio Garbelini, Geyse, Luany e Marília, além de Bia Zaneratto e Tainá Maranhão, mostrando que a comissão continua testando diferentes combinações ofensivas.
A questão central não é simplesmente saber se Marta está fora da Seleção hoje, mas em que condição ela chegará ao primeiro semestre do próximo ano. Se estiver saudável, jogando regularmente e demonstrando que ainda consegue oferecer impacto em alto nível, sua experiência pode voltar a pesar muito na decisão final. Se não recuperar sequência, o caminho para o Mundial ficará naturalmente mais difícil, especialmente porque Arthur já está construindo alternativas. Essa é uma disputa que será decidida pelo desempenho dos próximos meses, e não pela ausência de uma convocação.




