Bukayo Saka poderia simplesmente atravessar esta Data Fifa mantendo o ritmo antes de retornar ao Arsenal, mas fez mais do que isso. O atacante marcou duas vezes na goleada da Inglaterra por 7 a 0 sobre a Croácia e terminou a partida como um dos protagonistas de uma atuação ofensiva dominante da equipe de Thomas Tuchel.
O primeiro gol do jogador saiu ainda antes do intervalo, quando a Inglaterra já havia construído vantagem com Harry Kane, Jude Bellingham e Anthony Gordon. Saka marcou novamente no segundo tempo, antes de Morgan Rogers fechar o placar. Kane também balançou as redes duas vezes.
Para mim, porém, o que transforma a atuação em uma pauta importante para o Arsenal não é apenas o tamanho do placar. Saka continua mostrando que consegue transportar sua influência para contextos diferentes, mesmo quando deixa o modelo de Mikel Arteta e passa a dividir o ataque com jogadores de características distintas na seleção.

A própria composição escolhida por Tuchel ajuda nessa leitura. Saka começou pela direita, com Bellingham centralizado, Gordon no outro corredor e Kane como referência. Alex Scott e Elliot Anderson formaram o restante do meio-campo.
Saka continua sendo referência pelo lado direito
O desenho muda em relação ao Arsenal, mas uma característica permanece: Saka continua sendo uma referência para organizar o lado direito. Antes da partida, Tuchel havia destacado justamente a importância das características do atacante para determinar até quem deveria ocupar a lateral ao seu lado na seleção.
Isso diz bastante sobre o patamar alcançado pelo inglês. Não se trata mais apenas de encaixar o jogador dentro de uma estrutura previamente definida. Em determinados momentos, a própria estrutura passa a ser pensada considerando aquilo que pode potencializar o atacante.
No Arsenal, Arteta conhece esse processo melhor do que ninguém. O lado direito foi construído durante temporadas para colocar Saka em condições de receber, atacar o marcador, combinar por dentro e chegar à área. Quando ele retorna da seleção depois de uma atuação como esta, o treinador recebe novamente um jogador que não precisou interromper sua produção durante a pausa internacional.
Também existe uma diferença importante entre marcar duas vezes em uma goleada e simplesmente acumular minutos. A Data Fifa pode representar desgaste para os clubes, mas também pode devolver jogadores com confiança maior. No caso de Saka, o 7 a 0 oferece exatamente esse segundo cenário.
Arteta recebe Saka em alta para retomada da temporada
É cedo para transformar uma partida internacional em garantia de rendimento no clube. Os adversários, as funções e as dinâmicas são diferentes. Ainda assim, considero difícil ignorar o valor de um atacante retornar depois de encontrar o gol duas vezes em um jogo no qual sua seleção produziu sete.
Há ainda outro elemento positivo para Arteta, Saka não precisou assumir sozinho a responsabilidade ofensiva. Kane marcou duas vezes, enquanto Bellingham, Gordon e Rogers também participaram da goleada. Isso permitiu ao atacante do Arsenal ser decisivo dentro de uma estrutura que distribuiu protagonismo.
Esse talvez seja o aspecto mais interessante para transportar ao clube. O Arsenal não precisa que ele seja responsável por solucionar cada ataque; precisa criar condições para que ele continue sendo determinante sem concentrar todo o peso ofensivo em suas ações.
A goleada sobre a Croácia não resolve qualquer questão de Arteta, mas entrega uma resposta importante antes da retomada. Saka voltará ao Arsenal depois de marcar duas vezes e mostrar novamente capacidade de decidir mesmo fora do ambiente em que está mais acostumado.




