A Espanha venceu a Inglaterra por 3 a 2 neste sábado (26), em Wembley, em um daqueles jogos que parecem mudar de roteiro a cada poucos minutos. Lamine Yamal abriu o placar, Gordon e Harry Kane viraram ainda no primeiro tempo, e Álex Baena e Oyarzabal recolocaram a campeã mundial na frente na etapa final. O resultado, porém, é apenas uma parte do que o confronto oferece para quem observa o futebol pensando na Seleção Brasileira.
Para o Brasil de Carlo Ancelotti, o duelo apresenta dois modelos que podem ser analisados sem a necessidade de escolher um lado. A Espanha mostrou por que consegue permanecer competitiva mesmo quando a partida foge do roteiro, enquanto a Inglaterra apresentou recursos para acelerar, pressionar e virar um jogo contra uma equipe que havia começado melhor. O desafio brasileiro está justamente em reunir essas características sem perder identidade.
Espanha mostrou que controle também significa saber reagir
A principal lição espanhola não está apenas na posse de bola ou na qualidade técnica. A Espanha começou melhor, criou oportunidades e chegou ao intervalo perdendo por 2 a 1. Depois, porém, não tentou transformar o jogo em uma corrida desorganizada. Recuperou o controle progressivamente e voltou a encontrar espaços entre as linhas inglesas. A entrada de Baena foi decisiva: o meia empatou poucos minutos depois de entrar, enquanto Oyarzabal também saiu do banco e marcou o gol da virada.
Isso é particularmente importante para o Brasil porque uma seleção que pretende competir pelo topo não pode depender de um único plano de jogo. Ancelotti precisa construir uma equipe capaz de começar pressionando, controlar quando estiver em vantagem e, principalmente, encontrar respostas quando o adversário conseguir tirá-la da zona de conforto. A Espanha fez isso em Wembley sem abandonar completamente sua estrutura.
A outra lição está na utilização do elenco. Baena e Oyarzabal não entraram simplesmente para aumentar o número de atacantes: participaram diretamente da construção da virada. O banco espanhol mudou o comportamento da equipe e acrescentou soluções em um momento em que o adversário começava a controlar o confronto. Para o Brasil, isso significa transformar a qualidade individual dos convocados em alternativas táticas reais, e não apenas em nomes disponíveis para substituir titulares.
A atual reformulação brasileira torna essa questão ainda mais relevante. Ancelotti iniciou o novo ciclo com oito estreantes entre os convocados e deixou claro que existe uma busca por novas opções para os próximos anos. O trabalho, portanto, não deveria se limitar a encontrar 11 titulares, mas também a formar um grupo capaz de modificar partidas sem perder competitividade.
Inglaterra mostrou o perigo de ter resposta sem conseguir controlar
A Inglaterra também deixou uma lição importante. Quando sofreu o gol de Yamal, conseguiu reagir rapidamente e virou a partida com Gordon e Kane. A igualdade nasceu de uma transição veloz, enquanto a virada veio de uma jogada pelo corredor e da presença de Kane na área. O problema apareceu depois: mesmo tendo a oportunidade de fazer 3 a 1 em um pênalti, desperdiçou a chance e permitiu que a Espanha retomasse o controle.
O Brasil precisa encontrar justamente esse equilíbrio. Não basta ter jogadores capazes de decidir uma transição ou resolver uma jogada individual. Em partidas contra adversários de nível semelhante, é necessário saber quando acelerar e quando diminuir o ritmo. A Inglaterra conseguiu transformar um cenário desfavorável em vantagem, mas não conseguiu sustentar o domínio quando a Espanha mudou o jogo.
Esse talvez seja o ponto mais interessante para Ancelotti: o Brasil precisa aprender a ganhar diferentes tipos de jogo. Pode haver partidas em que a equipe tenha de controlar a posse, outras em que seja necessário atacar espaços e algumas em que a principal virtude será sobreviver a uma pressão adversária. A Espanha mostrou adaptação; a Inglaterra mostrou capacidade de reação. O próximo passo brasileiro é juntar as duas coisas.




