O Flamengo enfrenta o Estudiantes nesta quinta-feira (15), às 21h30 (de Brasília), no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, pela ida da semifinal da Libertadores. Jorginho está suspenso, enquanto Arrascaeta está fora por lesão no punho na seleção uruguaia. Sem os dois, Leonardo Jardim precisa redistribuir as funções de construção e criação.
O clássico contra o Fluminense, no último domingo (11), oferece um antecedente concreto: Saúl entrou na vaga de Jorginho, e Paquetá começou como camisa 10. A posição do brasileiro é o ponto de partida para entender as alternativas para a semifinal, cuja escalação ainda não está confirmada.
Como o Flamengo pode reorganizar o meio-campo?
- Paquetá adiantado: O desenho provável é um 4-2-3-1 com Saúl e Erick Pulgar como volantes, Paquetá na faixa central de criação, Jorge Carrascal à direita, Samuel Lino à esquerda e Bruno Henrique no comando do ataque. Nesse cenário, o brasileiro pode receber à frente da dupla de volantes e se aproximar do atacante, sem precisar iniciar todas as jogadas na base do meio. Nicolás de la Cruz aparece como alternativa entre os reservas indicados.
- Paquetá recuado: Antes do clássico, havia a possibilidade de utilizá-lo como segundo volante, abrindo espaço para Carrascal ou Samuel Lino na armação. Caso ele permanecesse adiantado, Saúl e De la Cruz eram as opções para a vaga de Jorginho. Recuar Paquetá deslocaria também a responsabilidade pelo passe mais próximo da área: outro jogador teria de ocupar essa faixa e conectar o meio ao ataque.
O detalhe decisivo está na posição de Paquetá
Perto do atacante e da área
Na vitória sobre o Fluminense, Paquetá apareceu em algumas oportunidades pela direita, mas atuou principalmente perto de Pedro e tentou avançar para a área. Saúl, por sua vez, alternou posições com Pulgar em certas fases da partida, embora também tenha ficado solto em alguns momentos.
Manter Paquetá adiantado em La Plata permitiria buscar essa sequência: receber entre as linhas, aproximar-se da referência ofensiva e avançar para finalizar. Com Bruno Henrique no ataque provável, a questão seria coordenar as aproximações para oferecer uma opção curta sem deixar de ocupar a área.
A assistência de Paquetá para o gol de Carrascal na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense também entra nessa conta. A combinação recente acrescenta um recurso à criação: o passe não precisa terminar no centroavante, e o jogador que parte do lado pode aparecer para concluir.
Solução do Flamengo: Mais atrás, com outro camisa 10
De acordo com reportagem recente do GE, uma experiência diferente no mesmo clássico: Joaquín Freitas foi utilizado como camisa 10, enquanto Paquetá recuou para segundo volante.
A mudança não se resume a aproximar Paquetá dos zagueiros. Ao colocá-lo em uma faixa mais recuada da construção, Jardim precisaria distribuir entre outros jogadores a recepção central perto da área e as infiltrações no espaço do atacante. Se o novo articulador recuar para buscar a bola ao mesmo tempo que Paquetá, o risco é faltar uma opção mais adiantada para dar continuidade à jogada.
No clássico, o Flamengo manteve a posse no campo ofensivo durante o segundo tempo, mas encontrou dificuldades para concluir as jogadas, como registrou o relato oficial do clube. Para a semifinal, ocupar o campo de ataque precisará vir acompanhado de opções de passe e presença na zona de finalização, não apenas de mais jogadores participando da construção.
A decisão de Jardim passa, portanto, por quem liga o meio ao ataque e quem aparece depois desse passe. Se Paquetá ficar adiantado, poderá participar dessa conexão e atacar a área. Se recuar, o Flamengo precisará encontrar à frente dele um articulador que receba e dê sequência: trocar a posição do brasileiro exige reorganizar também o destino da bola.




