Vitor Reis vive um momento curioso em sua carreira. Depois de brilhar pelo Girona, o zagueiro praticamente não conseguiu mostrar seu futebol pelo Manchester City, mas continua recebendo confiança de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira e foi chamado para os próximos amistosos.
Para mim, esse contraste não significa que exista alguma incoerência na convocação. Pelo contrário, mostra que o trabalho realizado pelo jovem antes de retornar à Inglaterra ainda possui bastante peso na avaliação da comissão técnica e neste momento, foi o que pesou pelo chamado.
Aos 20 anos, o defensor chega ao novo ciclo do Brasil depois de uma temporada importante na La Liga. Foram 36 partidas e mais de três mil minutos em La Liga durante o empréstimo, números que mostram como a passagem pela Espanha foi fundamental para seu desenvolvimento. Vitor saiu de uma realidade na qual precisava de experiência no futebol europeu e terminou o período muito mais preparado para disputar espaço em um elenco do tamanho do City.
Maresca vem dando poucos minutos para o defensor
O problema está justamente na diferença encontrada desde o retorno a Manchester. Até aqui, sua participação na Premier League foi mínima, entrando apenas nos minutos finais da vitória sobre o Crystal Palace. Também ficou no banco contra Bournemouth e na Champions diante do Porto. Considero cedo demais para transformar essa situação em preocupação definitiva, mas existe uma questão evidente: para continuar evoluindo, Vitor Reis precisará voltar a jogar com frequência.
É justamente por isso que a convocação de Carleto chama minha atenção. O treinador poderia simplesmente priorizar zagueiros com maior sequência em seus clubes, mas decidiu manter o ex-Palmeiras dentro de um momento de renovação da Seleção. Vitor está entre os 26 chamados para os amistosos contra Austrália e Índia e tratou publicamente essa presença no início do novo ciclo como uma responsabilidade e uma motivação.
Passagem pelo Girona pesa a favor de Vitor Reis
Também acho importante lembrar que o City não decidiu reintegrá-lo por acaso. O planejamento para seu retorno já existia antes do início da temporada, depois de uma passagem pelo Girona em que conseguiu se destacar inclusive diante de adversários como Real Madrid e Barcelona.
Agora começa uma etapa muito mais complicada. Uma coisa é ser titular praticamente durante toda uma temporada pelo Girona; outra completamente diferente é disputar posição em um Manchester City montado para conquistar Premier League e Champions. Na minha visão, Vitor Reis não precisa necessariamente assumir uma vaga imediatamente, mas precisa encontrar uma maneira de entrar de verdade na rotação. Permanecer durante meses recebendo apenas minutos finais poderia interromper justamente a evolução construída na Espanha.
Nesse sentido, a Seleção pode até funcionar como uma oportunidade importante. Ancelotti está começando um novo ciclo e mostrou com sua convocação que enxerga o zagueiro como um nome capaz de fazer parte desse processo. Se receber minutos nos amistosos e apresentar bom desempenho, Vitor poderá retornar a Manchester com ainda mais confiança para disputar espaço. Não significa que uma convocação mudará automaticamente a hierarquia do City, mas certamente aumenta a responsabilidade sobre aquilo que ele pode entregar.
Por isso, não vejo o momento dele como uma situação alarmante, mas considero os próximos meses fundamentais. O jovem já passou pelo Palmeiras, ganhou experiência como titular na Espanha, voltou ao Manchester City e continua no radar de Ancelotti. Existe um caminho muito promissor pela frente. O desafio agora é transformar todo esse potencial em minutos no nível mais alto do futebol.




