O Arsenal começou a defesa do título da Premier League mostrando que continua entre as equipes mais fortes da Inglaterra, mas a primeira derrota da temporada deixou uma questão que Mikel Arteta precisará acompanhar com atenção. O 3 a 0 sofrido diante do Brighton, no Amex Stadium, não representou apenas a interrupção de uma sequência positiva: também colocou o rendimento como visitante no centro da discussão.
Theo Walcott foi direto ao identificar essa fragilidade. O ex-atacante considera O time inglês como uma equipe excepcional e acredita que o elenco possui qualidade suficiente para conquistar novamente a Premier League, porém enxerga uma vulnerabilidade quando o time precisa atuar longe do Emirates Stadium.
Para mim, essa combinação torna o alerta mais relevante do que uma crítica produzida simplesmente por uma derrota. Walcott não está questionando a qualidade geral do projeto de Arteta. Pelo contrário, sua preocupação surge justamente porque um candidato ao título não pode permitir que o local das partidas determine de maneira tão significativa seu nível de atuação.
Os números iniciais ainda não justificam transformar a situação em crise. O Arsenal conquistou seis dos nove pontos possíveis fora de casa na Premier League até agora. O problema está na forma como determinadas atuações aconteceram e, principalmente, no contraste apresentado quando a equipe encontrou ambientes mais difíceis.
Tzolis vira exemplo de problema maior no Arsenal
Walcott utilizou Christos Tzolis para explicar sua preocupação. O ex-jogador afirmou gostar do reforço, mas não demonstrou a mesma satisfação com aquilo que viu do atacante nas partidas como visitante. Para ele, existem jogadores capazes de apresentar um nível elevado em casa ou nos treinamentos, mas que encontram dificuldades quando precisam responder em cenários mais hostis.
A observação não precisa ser interpretada apenas como uma cobrança individual sobre Tzolis. Ela toca em uma questão maior para Arteta: descobrir quais jogadores oferecem as características necessárias quando o Arsenal não consegue controlar uma partida da maneira habitual.

Em casa, naturalmente existe maior possibilidade de impor território, aumentar pressão e utilizar o apoio da torcida para manter o adversário recuado. Fora, principalmente contra equipes capazes de aumentar intensidade e transformar o jogo em confrontos físicos, o campeão inglês precisa encontrar outras formas de vencer.
É nesse ponto que considero a declaração de Walcott importante para o restante da temporada. Arteta não precisa necessariamente abandonar suas ideias em partidas como visitante, mas talvez tenha de ser mais flexível na escolha das peças capazes de executá-las.
O próprio Walcott chegou a defender uma mudança quando determinado jogador não responde às exigências desse tipo de confronto. Na avaliação do ex-atacante, Arteta pode precisar escolher alguém disposto a trabalhar de maneira diferente para a equipe quando o contexto exigir.
Defesa do título exige Arsenal igualmente competitivo longe de Londres
Existe ainda outra pressão sobre o Arsenal. Depois de conquistar a Premier League na temporada passada, o clube não está mais perseguindo apenas um objetivo que escapou durante anos. Agora precisa administrar a responsabilidade de defender a conquista enquanto também pretende competir pela Champions League. Walcott destacou justamente essa dificuldade ao avaliar as ambições do elenco.
Isso aumenta a importância dos jogos como visitante. Uma equipe envolvida em diferentes competições terá menos margem para depender exclusivamente das melhores condições possíveis para apresentar seu futebol. Em algum momento, será necessário vencer partidas ruins, suportar pressão e encontrar soluções sem exercer domínio durante os 90 minutos.




