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Direto da Redação

De la Fuente coloca o dedo na ferida do futebol brasileiro ao falar sobre estrangeiros

Enquanto o Brasil reduz a presença de estrangeiros, experiência espanhola mostra que formar talentos exige mais do que limitar vagas nos elencos

EAST RUTHERFORD, NEW JERSEY - JULY 19: Luis de la Fuente, Head Coach of Spain, looks on during the FIFA World Cup 2026 Final match between Spain and Argentina at New York New Jersey Stadium on July 19, 2026 in East Rutherford, New Jersey. (Photo by David Ramos/Getty Images)
© Getty ImagesEAST RUTHERFORD, NEW JERSEY - JULY 19: Luis de la Fuente, Head Coach of Spain, looks on during the FIFA World Cup 2026 Final match between Spain and Argentina at New York New Jersey Stadium on July 19, 2026 in East Rutherford, New Jersey. (Photo by David Ramos/Getty Images)

A decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de reduzir gradualmente o limite de estrangeiros no futebol brasileiro colocou novamente a formação de jogadores no debate. A regra, aprovada pelos clubes das Séries A e B, fará o número máximo cair de nove atletas relacionados por partida em 2026 para cinco em 2030. Foi nesse contexto que Luis de la Fuente, técnico da Espanha, foi questionado sobre a mudança e falou sobre a experiência de seu país.

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A declaração do treinador espanhol interessa porque toca justamente no ponto mais delicado da discussão brasileira: até que ponto restringir estrangeiros é suficiente para fazer os jovens brasileiros jogarem mais? A resposta não está apenas na quantidade de atletas de fora, mas no que os clubes fazem com o espaço que eventualmente será aberto.

Espanha, de De la Fuente, mostra que o debate começa muito antes do profissional

A experiência espanhola citada por De la Fuente ajuda a entender essa diferença. A Espanha construiu uma geração competitiva a partir de um processo de formação que envolve clubes, academias e seleções de base. Na equipe que chegou à final da Copa do Mundo de 2026, Barcelona, Athletic Bilbao e Real Sociedad tiveram papel importante na formação dos jogadores, mostrando que a seleção é consequência de um sistema que trabalha os atletas desde cedo.

O Brasil tem uma matéria-prima diferente, mas o problema identificado pela CBF é semelhante: os jovens estão jogando pouco no campeonato principal. Segundo o estudo apresentado pela entidade, jogadores sub-23 ocupam apenas 13,8% dos minutos do Brasileirão em 2026, percentual inferior ao observado nas principais ligas europeias analisadas. Ao mesmo tempo, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos aumentou significativamente nos últimos anos.

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É aí que a fala de De la Fuente ganha peso. Reduzir estrangeiros pode abrir vagas, mas vaga disponível não significa oportunidade automática para um jogador da base. Um clube ainda pode contratar brasileiros mais experientes, recorrer a atletas que já estão no mercado ou simplesmente manter jovens no banco. Se a formação não produzir jogadores preparados para ocupar essas posições, a mudança regulatória terá efeito limitado.

Brasil precisa transformar a restrição em oportunidade

A CBF parece ter percebido justamente esse risco ao aprovar, junto com a redução de estrangeiros, uma mudança no modelo de inscrição. A partir de 2027, a lista de atletas será dividida entre uma Lista A e uma Lista B, com aumento gradual do espaço destinado a jogadores sub-23 até chegar a uma divisão de 25 atletas em cada grupo em 2030.

Esse segundo movimento talvez seja mais importante do que a própria redução. Se o objetivo é renovar o futebol brasileiro, não basta diminuir a concorrência: é preciso criar um caminho para que o jovem entre, jogue, erre, evolua e tenha minutos suficientes para se tornar jogador profissional de alto nível.

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O próprio diagnóstico da CBF mostra por que isso é urgente. A média de idade dos jogadores da Série A chegou a 28,5 anos em 2026, enquanto a participação dos brasileiros sub-23 caiu ao longo do período em que o limite de estrangeiros aumentou. O estudo também relaciona a presença maior de jogadores mais experientes à diminuição do espaço para atletas jovens.

Mas existe um cuidado importante: não transformar o estrangeiro em vilão do problema. O futebol brasileiro se beneficia tecnicamente da chegada de jogadores de outros países, e a própria CBF afirmou reconhecer a importância deles no campeonato. A questão é encontrar um equilíbrio que permita aos clubes contratar estrangeiros sem transformar essas vagas em um obstáculo permanente para a formação nacional.

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A fala de De la Fuente serve justamente para deslocar a discussão. O futuro do futebol brasileiro não será decidido apenas por quantos estrangeiros estarão em campo, mas pela capacidade dos clubes de transformar sua enorme produção de talentos em jogadores profissionais preparados para competir. A redução da cota pode ser uma ferramenta dentro desse processo; sozinha, não é a solução.

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