Marcus Rashford conseguiu algo que há algum tempo parecia bastante improvável, que é reconstruir seu espaço dentro do Manchester United. Depois de empréstimos para Aston Villa e Barcelona e de uma relação desgastada com o clube, o atacante voltou a fazer parte dos planos e recebeu uma nova oportunidade com Michael Carrick.
Para mim, entretanto, recuperar confiança interna representa apenas metade do caminho. Em algum momento, essa retomada precisa começar a produzir aquilo que realmente pesa para um jogador de ataque, que são gols, assistências e influência constante nas partidas de sua equipe.
Atacante inglês vem decepcionando
O começo da Premier League deixa essa cobrança ainda mais evidente. Nas três primeiras rodadas, foram duas partidas como titular e nenhuma participação direta em gol. O número isoladamente não seria suficiente para condenar ninguém tão cedo, mas Rashford não é mais uma promessa tentando descobrir como funciona o futebol inglês. Estamos falando de um jogador experiente, que conhece o United como poucos e já mostrou em outras temporadas capacidade para decidir jogos grandes. Por isso, considero natural esperar uma resposta mais rápida.

Também existe uma diferença importante entre apresentar sinais positivos e realmente entregar desempenho decisivo. Contra o Everton, por exemplo, Rashford foi escolhido pelos próprios torcedores do United como o melhor jogador da equipe. Isso mostra que existem aspectos de seu futebol funcionando e seria injusto resumir tudo à ausência de gols. O problema é que um atacante com sua qualidade não pode viver apenas de boas atuações sem transformar essa presença em vantagem concreta para um time que necessita desesperadamente de soluções ofensivas.
O dérbi contra o Manchester City aumentou essa sensação. Rashford esteve muito perto de marcar ao cobrar uma falta na trave ainda no primeiro tempo, mas novamente terminou sem balançar a rede. O contexto tornou o resultado ainda mais frustrante: Phil Foden foi expulso aos 23 minutos e deixou o City com dez jogadores durante a maior parte do confronto. Mesmo assim, o United não conseguiu marcar e acabou derrotado por 1 a 0 em Old Trafford.
Rashford precisa voltar a decidir pelo Manchester United
É nesse tipo de partida que minha cobrança aumenta. Não espero que Rashford resolva sozinho todos os problemas ofensivos do Manchester United, até porque o começo ruim da equipe passa por questões coletivas bastante evidentes. O ataque de Carrick tem produzido menos do que deveria, e colocar toda a responsabilidade em apenas um nome seria simplificar demais o cenário. Ainda assim, jogadores experientes existem justamente para aparecer quando o funcionamento coletivo não oferece todas as respostas.
Benjamin Sesko voltou de lesão marcando contra Everton e Sabah, enquanto Carrick também possui outras alternativas para montar seu setor ofensivo. Essa concorrência muda bastante a situação de Rashford. Seu passado no clube não deveria garantir uma posição privilegiada, e recuperar espaço depois dos empréstimos não significa que o trabalho esteja concluído. Pelo contrário: vejo essa segunda oportunidade como um período no qual ele precisa provar novamente que pode ser mais do que apenas uma opção conhecida pelo treinador.
Existe um aspecto positivo que merece ser reconhecido. As dúvidas sobre comportamento e comprometimento que acompanharam outras fases deram lugar a relatos de uma postura diferente nos treinamentos, enquanto Carrick decidiu começar sua relação com o atacante sem carregar os problemas anteriores. Isso é importante e mostra vontade de reconstruir a trajetória em Old Trafford. Só que disciplina e dedicação deveriam ser o ponto de partida. Para um jogador do nível que ele já alcançou, a avaliação acaba chegando ao que ele consegue produzir com a bola.




