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Direto da Redação

Mbappé rompe com a Nike: por que esse movimento está cada vez mais recorrente entre os jogadores?

Cada vez mais, jogadores de elite parecem interessados não apenas no tamanho da marca que os patrocina, mas no tamanho do espaço que terão dentro dela

MADRID, SPAIN - MAY 14: Kylian Mbappe of Real Madrid looks on during the LaLiga EA Sports match between Real Madrid CF and Real Oviedo at Estadio Santiago Bernabeu on May 14, 2026 in Madrid, Spain. (Photo by Angel Martinez/Getty Images)
© Getty ImagesMADRID, SPAIN - MAY 14: Kylian Mbappe of Real Madrid looks on during the LaLiga EA Sports match between Real Madrid CF and Real Oviedo at Estadio Santiago Bernabeu on May 14, 2026 in Madrid, Spain. (Photo by Angel Martinez/Getty Images)

Kylian Mbappé rompeu com a Nike depois de quase 20 anos de parceria e assinou com a On. A notícia chama atenção porque estamos falando de um dos maiores jogadores do mundo deixando uma das marcas mais poderosas do planeta. Mas, para mim, o mais interessante não é a troca em si. É perceber que o craque do Real Madrid não é o primeiro craque a fazer esse movimento — e provavelmente também não será o último.

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Durante muito tempo, parecia óbvio que um jogador que chegasse ao topo deveria estar com Nike, Adidas ou Puma. Hoje, essa lógica já não é tão simples. O atleta também virou uma marca, e isso mudou completamente a negociação. Quando um jogador tem audiência, identidade e capacidade de movimentar o mercado, talvez faça mais sentido ser o principal rosto de uma empresa em crescimento do que apenas mais uma estrela dentro de um portfólio gigantesco.

Endrick talvez seja o exemplo que melhor explica essa mudança

O caso de Endrick é especialmente interessante porque mostra que a decisão não foi apenas uma questão de dinheiro. Antes de assinar com a New Balance, o brasileiro recebeu propostas de Nike, Adidas e Puma, além de sondagens de outras empresas. Segundo o UOL, Nike, Adidas e Puma ofereceram valores superiores aos da New Balance. Mesmo assim, Endrick escolheu a empresa americana.

E aqui está, na minha visão, a parte mais importante. A New Balance ofereceu a Endrick algo que as gigantes não conseguiam oferecer da mesma maneira: a possibilidade de ser um dos principais nomes da marca no futebol. Havia previsão de chuteiras exclusivas, participação nas escolhas de modelos, cores e personalizações e até uma linha associada ao jogador. Não era simplesmente colocar uma chuteira no pé e aparecer em uma campanha. Era construir alguma coisa junto.

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Isso ajuda a entender por que esse mercado está mudando. Uma Nike pode oferecer alcance mundial, tradição e um elenco enorme de estrelas. Mas uma marca que está tentando crescer no futebol pode oferecer algo diferente: protagonismo. E, para um jogador que acredita no próprio potencial comercial, isso pode valer muito.

Harry Kane fez um movimento parecido ao deixar a Nike para se tornar um dos principais nomes da Skechers no futebol. A empresa não tinha a mesma tradição das gigantes no mercado de chuteiras, mas justamente por isso Kane passou a ocupar uma posição muito mais central no projeto. A lógica se repete: a marca precisa do jogador para crescer, enquanto o jogador encontra um espaço maior para ajudar a construir a marca.

Mbappé mostra até onde essa estratégia pode chegar

É por isso que a escolha de Mbappé pela On me parece tão simbólica. A empresa suíça ainda está entrando no futebol e pretende lançar sua primeira chuteira em 2027. Ou seja, Mbappé não está chegando para ser apenas mais um atleta de um catálogo consolidado. Ele está entrando justamente no momento em que a marca começa a construir sua história no futebol. A On também levou Thierry Henry para o cargo de diretor de futebol.

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E existe uma diferença enorme entre essas duas situações. Quando uma empresa já domina determinado mercado, o jogador ajuda a vender um produto que já existe. Quando uma empresa está entrando em um mercado novo, o jogador pode ajudar a definir como aquele produto será percebido. É uma relação muito mais próxima de construção de marca do que de simples patrocínio.

Não acho que isso signifique que Nike e Adidas estejam perdendo espaço de forma generalizada. Seria exagerado dizer isso. As duas continuam dominando boa parte do mercado de futebol, enquanto a Puma também permanece entre as principais forças do setor. O que mudou, na minha opinião, é outra coisa: os craques ganharam poder suficiente para não precisar escolher apenas entre as maiores marcas.

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