O Lyon já mostrou que, para Endrick, jogar pode valer muito mais do que simplesmente permanecer em um gigante esperando oportunidades. Agora, o Aston Villa monitora atentamente sua situação, segundo a rádio Cadena SER, da Espanha, e vejo o clube inglês como um dos melhores caminhos para a segunda metade da temporada. Seriam apenas seis meses, mas suficientes para voltar ao Real Madrid mais preparado.
Por que o Aston Villa é o destino perfeito?
O primeiro argumento está justamente no trabalho de Unai Emery com seus centroavantes. Na temporada passada, Ollie Watkins foi a principal referência ofensiva da equipe e respondeu com 21 gols e cinco assistências em 55 partidas. Mais do que finalizar, participava dos movimentos do ataque, aproximava-se para conectar jogadas e atacava constantemente as costas da defesa.
A comparação de minutos também pesa na avaliação. Somando Real Madrid e Lyon, Endrick disputou apenas 24 partidas na última temporada, com oito gols e oito assistências. A passagem pela França mostrou justamente o que uma sequência pode provocar. Aos 20 anos, o atacante precisa jogar para desenvolver decisões que dificilmente serão aperfeiçoadas acumulando partidas no banco.
A Premier League acrescentaria outro desafio importante. O brasileiro já possui potência, explosão e capacidade para sustentar contato, mas encontraria um campeonato que exigiria ainda mais de seu jogo físico. Seria necessário aprender a proteger a bola contra defensores fortes, atuar de costas e continuar participando quando não houver campo para acelerar.
Também existe uma oportunidade esportiva depois da saída de Watkins. Mesmo com Nicolas Jackson entre as referências ofensivas do Villa nesta temporada, há um espaço que pode ser disputado, e é justamente aí que qualquer negociação precisaria ser construída.
Como funcionaria o encaixe no ataque?
Eu utilizaria Endrick como centroavante móvel, e não como ponta direita. Ele pode baixar para oferecer apoio, tocar rapidamente e atacar o espaço logo depois, usando sua arrancada para chegar às costas dos zagueiros. Esse tipo de movimento aproveita melhor sua explosão do que deixá-lo permanentemente fixado entre dois defensores.
O modelo de Unai Emery também poderia ajudá-lo a jogar melhor com companheiros próximos. Com meias ocupando zonas por dentro, o camisa 9 não precisaria construir sozinho: poderia receber de costas e girar em direção ao gol. Em determinadas estruturas, ainda teria condições de atuar ao redor de outro atacante, explorando diagonais entre lateral e zagueiro.
É por isso que gosto tanto da possibilidade de trabalhar com o renomado Unai Emery. O Real Madrid já conhece seu chute, sua potência e sua capacidade de acelerar; o Aston Villa poderia devolver um jogador mais inteligente na associação, no posicionamento e na leitura dos movimentos de centroavante.
Endrick está insatisfeito no Real Madrid?
Segundo informações do jornalista Graeme Bailey, do portal TeamTalk, o atacante não está feliz com sua situação no Santiago Bernabéu, e o cenário pode abrir espaço para uma saída em janeiro. A apuração aponta ainda que seu staff considera a falta de minutos “inaceitável” e já demonstrou esse incômodo à diretoria. Com apenas uma partida na temporada, o brasileiro ainda espera receber mais oportunidades.
Caso esse espaço não apareça, considero um novo empréstimo a decisão mais lógica. Inglaterra e Itália surgiriam como possibilidades, mas, entre os cenários apresentados, o Aston Villa me agrada especialmente pelo encaixe e pelo treinador. O Lyon serviu para devolver minutos e confiança. Trabalhar com Unai Emery poderia representar o estágio seguinte: aprender a ser um centroavante mais completo.




