A derrota do Liverpool por 3 a 0 para o Manchester City, neste domingo (11), em Anfield, representa o primeiro grande momento de cobrança sobre Andoni Iraola. O resultado interrompeu a invencibilidade do treinador na Premier League e deixou questionamentos sobre a capacidade da equipe de reagir diante de adversários de alto nível. Considero que o placar, embora expressivo, precisa ser analisado além dos três gols sofridos, principalmente pelas circunstâncias que modificaram o confronto.
A expulsão de Ryan Gravenberch, aos 62 minutos, teve influência direta no desenvolvimento da partida. Com um jogador a menos, os Reds passaram a enfrentar dificuldades adicionais para proteger os espaços e acompanhar as movimentações adversárias. O City aproveitou a superioridade numérica e construiu a vitória com gols de Erling Haaland, Jérémy Doku e Rayan Cherki. Para mim, o episódio não elimina a responsabilidade coletiva, mas exige cuidado antes de atribuir todos os problemas ao planejamento do técnico.
O principal desafio de Iraola agora está em compreender como preservar a organização quando as condições deixam de favorecer sua proposta inicial. Uma equipe que pretende competir entre os primeiros colocados precisa apresentar alternativas para situações inesperadas, incluindo expulsões e mudanças de estratégia durante os jogos. Não considero razoável exigir que o Liverpool mantenha o mesmo rendimento com dez jogadores, porém a capacidade de reduzir espaços e administrar momentos de pressão faz parte do desenvolvimento de um trabalho competitivo.
Outro aspecto relevante envolve as ausências de Alexander Isak e Cody Gakpo, que limitaram as possibilidades ofensivas disponíveis. Sem dois jogadores importantes para o setor, o treinador precisou procurar alternativas para manter profundidade e presença na área. Lewis Koumas recebeu uma oportunidade como titular, cenário que evidencia a necessidade de preparar soluções além dos nomes habitualmente utilizados. A dificuldade está em preservar o funcionamento coletivo mesmo quando peças importantes não podem atuar.
Iraola precisa recuperar equilíbrio entre meio-campo e defesa
A atuação diante do Manchester City também reforça a importância de encontrar maior estabilidade no meio-campo. Gravenberch exerce uma função relevante na ligação entre os setores, e sua saída obrigou o Liverpool a reorganizar responsabilidades durante o confronto. Na minha avaliação, o treinador precisa desenvolver mecanismos que permitam proteger a defesa sem depender exclusivamente de um jogador para oferecer cobertura e iniciar a construção ofensiva.
O problema não se resume à quantidade de atletas posicionados atrás da linha da bola. Uma organização eficiente depende da distância entre os setores, da coordenação da pressão e da capacidade de impedir que o adversário encontre corredores livres. Quando esses elementos deixam de funcionar simultaneamente, qualquer equipe passa a correr riscos maiores. A derrota oferece a Iraola uma oportunidade para revisar comportamentos coletivos, especialmente em situações de inferioridade numérica.
Também vejo necessidade de avaliar a participação dos laterais na estrutura defensiva. O Liverpool procura utilizar amplitude para avançar, mas esse comportamento exige compensações quando a posse é perdida. Caso os jogadores de corredor estejam posicionados muito à frente, os meio-campistas precisam reagir rapidamente para proteger as costas da defesa. Não afirmo que esse tenha sido o único problema contra o City, mas considero um aspecto importante para o treinador observar nos próximos compromissos.
A responsabilidade pela reorganização não deve recair apenas sobre os defensores. O funcionamento sem a bola começa pela participação dos atacantes, que precisam dificultar a construção adversária e orientar a pressão coletiva. Quando o primeiro combate é superado com facilidade, os setores seguintes ficam expostos a decisões mais difíceis. Para mim, recuperar essa conexão será fundamental para evitar que os problemas observados após a expulsão se repitam em outros contextos.
Iraola também precisa recuperar a eficiência ofensiva do Liverpool
Antes da expulsão, o Liverpool havia encontrado oportunidades para ameaçar o Manchester City. Lewis Koumas exigiu uma defesa de Gianluigi Donnarumma, enquanto Alexis Mac Allister e Florian Wirtz tiveram possibilidades de finalizar. O alemão também protagonizou um lance em que poderia ter acionado Bradley Barcola, melhor posicionado. Esses episódios mostram que a equipe conseguiu chegar ao campo adversário, mas não transformou suas ações em gols.

A situação de Wirtz merece atenção especial. O meio-campista reúne características para organizar a criação e encontrar companheiros entre as linhas, porém precisa transformar sua qualidade técnica em decisões mais eficientes. Considero que Iraola deve buscar maneiras de aproximá-lo dos atacantes, oferecendo alternativas de passe e movimentações que facilitem sua participação. O alemão não pode carregar sozinho a responsabilidade de solucionar todas as dificuldades ofensivas.
Barcola também pode desempenhar um papel importante nessa reorganização. Sem Isak e Gakpo, o francês recebeu maior responsabilidade na construção das jogadas, mas encontrou dificuldades para transformar suas ações em oportunidades decisivas. Na minha avaliação, o Liverpool precisa criar condições para que ele receba a bola em situações favoráveis, especialmente com espaço para acelerar e enfrentar os defensores. A solução passa pelo posicionamento dos companheiros, não apenas pelo desempenho individual.
A próxima partida contra o Brentford, no sábado (17), representa uma oportunidade para observar a reação da equipe. Mais do que recuperar os três pontos, Iraola precisará demonstrar que consegue adaptar seu planejamento às ausências e aos problemas identificados diante do City. A preparação também deverá considerar a suspensão de Gravenberch, caso seja confirmada para o compromisso, além das condições físicas dos jogadores que ficaram fora do clássico.
Por isso, considero que a derrota por 3 a 0 aumenta a responsabilidade de Andoni Iraola, mas ainda não justifica conclusões definitivas sobre seu trabalho. O Liverpool teve uma partida competitiva até a expulsão e encontrou um adversário que soube aproveitar a vantagem numérica. O verdadeiro desafio será transformar o resultado em ajustes concretos, recuperar a eficiência no ataque e oferecer maior estabilidade coletiva. A resposta nos próximos jogos ajudará a determinar se a goleada foi um episódio isolado ou o início de dificuldades mais persistentes.




