Há momentos em que o futebol pede que um treinador olhe menos para a posição de origem de um jogador e mais para aquilo que ele está fazendo em campo. Raphinha vive exatamente esse momento. No Barcelona, o brasileiro deixou de ser apenas o atacante que parte do lado direito e ganhou uma função central, justamente onde tem encontrado espaço para participar mais do jogo e chegar ao gol com frequência. O resultado tem sido impressionante: 14 gols em sete partidas neste início de temporada, média de dois gols por partida.
E é justamente por isso que Carlo Ancelotti deveria considerar uma mudança na Seleção Brasileira. Em vez de simplesmente devolver Raphinha à ponta direita, posição em que passou boa parte da carreira, o treinador italiano poderia testar o atacante por dentro. Não necessariamente como um centroavante tradicional, preso entre os zagueiros, mas como o jogador central do sistema ofensivo, com liberdade para recuar, flutuar e atacar os espaços.
O melhor Raphinha pode ser o Raphinha centralizado
A questão não é copiar o Barcelona de forma automática. Seleção e clube são contextos diferentes, e Ancelotti terá pouco tempo para trabalhar durante as Datas Fifa. Mas ignorar a transformação de Raphinha seria desperdiçar justamente uma das principais características do atual momento do jogador: a capacidade de aparecer em diferentes zonas do ataque sem perder sua agressividade para finalizar.
A convocação de setembro oferece peças para construir esse cenário. Vinicius Junior pode partir da esquerda, Estêvão tem características para atuar aberto pela direita e Pedro pode funcionar como referência mais tradicional. Com Raphinha por dentro, o Brasil teria um ataque capaz de trocar posições e, ao mesmo tempo, preservar um jogador com presença de área.
Meu time, portanto, seria formado por Hugo Souza; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Bruno Guimarães e Andrey Santos; Estêvão, Raphinha e Vinicius Junior; Pedro. Não seria um 4-3-3 engessado: com a bola, Raphinha teria liberdade para abandonar a faixa central, Vini poderia atacar por dentro e Estêvão ocuparia o corredor direito. A movimentação seria mais importante do que a posição desenhada no papel.
Ancelotti tem a chance de construir a Seleção a partir do momento dos jogadores
Há ainda um detalhe importante: Ancelotti começou justamente um processo de renovação depois da Copa de 2026. A primeira convocação teve oito estreantes e dez atletas que atuam no futebol brasileiro. O próprio treinador afirmou que pretende formar um novo grupo para os próximos anos.
Nesse cenário, não vejo motivo para a Seleção ficar presa à ideia de que Raphinha precisa necessariamente ser o ponta direita. Se o jogador está encontrando sua melhor versão centralizado no Barcelona, vale testar essa possibilidade também com a camisa amarela. E há uma vantagem adicional: Vini Jr. permanece como opção pela esquerda, enquanto Estêvão pode ganhar espaço pela direita, dando ao Brasil um trio ofensivo tecnicamente muito forte.
Raphinha já demonstrou que pode desempenhar diferentes funções no ataque e o próprio jogador chega ao novo ciclo valorizando a confiança de Ancelotti. Antes da Copa, ele afirmou que ainda poderia fazer muito mais pela Seleção e destacou sua evolução em relação ao ciclo anterior. Agora, o desafio do treinador é descobrir se essa nova versão também pode ser uma resposta para o Brasil.




