A lesão de Federico Valverde chega em um momento que considero bastante delicado para o Real Madrid. O uruguaio sofreu uma entorse de grau 3 no tornozelo esquerdo depois de uma entrada de Kang-in Lee no clássico contra o Atlético de Madrid e acabou cortado dos amistosos de sua seleção. O clube espanhol não estabeleceu prazo oficial para o retorno, portanto ainda é cedo para determinar exatamente quantas partidas ele poderá perder.
Para mim, a preocupação vai além de substituir um jogador durante algumas semanas. Valverde iniciou as sete partidas do Campeonato Espanhol nesta temporada e acumula 564 minutos na competição. Essa sequência ajuda a mostrar quanto Mourinho tem utilizado o meio-campista neste começo de trabalho, justamente em uma equipe que passou por mudanças importantes depois da última temporada.
Existe também uma questão de liderança. Com a saída de Carvajal, o camisa 8 assumiu o posto de primeiro capitão do elenco, seguido por Vinícius Júnior e Courtois. Aos 28 anos e em sua nona temporada no clube, alcançou recentemente a marca de 250 partidas por LaLiga e já soma 379 jogos com a camisa merengue. Portanto, sua importância ultrapassa aquilo que entrega apenas com a bola.
Mourinho terá de encontrar outra configuração
Dentro de campo, acredito que o desafio esteja principalmente em substituir a capacidade de Valverde de cumprir diferentes funções. Antes do dérbi, por exemplo, Tchouaméni e Bernardo Silva apareciam disputando uma posição ao lado do uruguaio, sinal de que ele ocupava uma condição diferente na formação daquele momento. Sem essa referência, Mourinho passa a ter de reorganizar um setor que ainda procura sua configuração definitiva.
Isso não significa que o Real Madrid esteja sem alternativas. O elenco possui opções suficientes para modificar a composição do meio, mas substituir uma peça tão utilizada não depende apenas de colocar outro nome na mesma posição. Minutos, liderança e entendimento coletivo são construídos com sequência, e é justamente essa continuidade que pode ser interrompida caso o capitão precise permanecer afastado por um período maior.
Há, por outro lado, um detalhe que reduz parte da preocupação imediata. A lesão aconteceu justamente antes da Data Fifa, e o corte da seleção uruguaia permitirá que Valverde permaneça em Madri durante a recuperação, evitando também a longa viagem para os amistosos contra Japão, Coreia do Sul e Índia. O Real não estabeleceu uma previsão de retorno, enquanto relatos da imprensa espanhola trabalham com aproximadamente duas a três semanas.
Temporada pode exigir maior cuidado com Valverde
Outro aspecto que considero importante está no restante da temporada. Mesmo que a recuperação seja relativamente rápida, uma entorse de grau 3 no começo do calendário coloca o controle físico do jogador em evidência. O objetivo não pode ser simplesmente acelerar sua volta, principalmente porque o Real disputará diferentes competições e precisará administrar o elenco ao longo dos próximos meses.
Por isso, vejo o impacto dessa lesão em duas etapas. A primeira será descobrir como Mourinho reorganiza seu meio-campo caso precise atuar sem o capitão. A segunda, talvez mais importante, estará na maneira como o Real administrará Valverde depois do retorno. A Data Fifa oferece algum tempo para recuperação, mas perder uma das peças mais utilizadas do time tão cedo na temporada é um alerta que o clube certamente preferia não enfrentar.




