Florian Wirtz chegou ao Liverpool cercado por uma expectativa proporcional ao investimento realizado para tirá-lo do Bayer Leverkusen. O começo na Inglaterra, porém, ainda não transformou todo esse prestígio em protagonismo dentro do novo projeto. Agora, uma situação que inicialmente representa um problema para Andoni Iraola também pode entregar ao alemão a oportunidade que faltava para começar a mudar essa percepção.
Alexander Isak deixou a seleção sueca depois de sofrer um problema na coxa contra a Romênia. Graham Potter classificou a lesão como pequena, mas o atacante retornou ao Liverpool e não participou dos compromissos seguintes do país. Pouco depois, Cody Gakpo também deixou a concentração da Holanda após machucar o tornozelo diante da Sérvia.
As duas situações ganham importância porque atingem justamente os jogadores responsáveis pela maior parte da produção ofensiva dos Reds neste começo. Isak e Gakpo marcaram cinco dos sete gols do Liverpool nas cinco primeiras rodadas da Premier League. Retirar simultaneamente essas referências, mesmo que temporariamente, naturalmente modifica a distribuição de responsabilidades no setor.
Wirtz precisa justificar sua vinda ao Liverpool
Para mim, é nesse ponto que Wirtz entra no centro da discussão. O alemão não precisa substituir individualmente Isak ou Gakpo, até porque exerce funções diferentes, mas pode assumir uma parcela maior da criação e da chegada ao último terço. A ausência ou limitação dos companheiros reduz referências consolidadas e aumenta a necessidade de outros jogadores influenciarem diretamente os ataques.
O próprio Wirtz já demonstrou entender essa cobrança. Antes da partida contra o Bournemouth, ele afirmou que esperava de si mesmo capacidade para decidir jogos e reconheceu que os jogadores ofensivos precisavam aproveitar melhor as oportunidades. A declaração ganha outro peso agora porque a equipe pode precisar justamente dessa evolução individual.

Não considero justo transformar as primeiras semanas sob Iraola em uma avaliação definitiva sobre sua adaptação. O Liverpool também está aprendendo uma maneira diferente de jogar. Segundo dados da Opta divulgados pelo próprio clube, a equipe passou a atacar de maneira mais vertical, com média de 15,38 metros de progressão por sequência, além de reduzir de 4,2 para 3,9 a quantidade média de passes por sequência em comparação com a temporada anterior.
Essa transformação também exige ajustes de Wirtz. No Bayer Leverkusen, o alemão construiu seu protagonismo em uma estrutura que conhecia profundamente e na qual possuía liberdade para ocupar diferentes zonas. No Liverpool, precisa descobrir onde pode exercer influência dentro de um modelo mais vertical e intenso, ao mesmo tempo em que desenvolve conexões com companheiros que também chegaram recentemente.
Existem sinais de que isso pode acontecer. No triunfo por 1 a 0 sobre o Bournemouth, por exemplo, Gakpo construiu a jogada pela direita, Wirtz participou dentro da área e a bola terminou com Isak para o gol da vitória. Não foi uma participação registrada como assistência, mas mostrou o alemão ocupando justamente a zona em que pode começar a aumentar sua influência.
Wirtz pode transformar necessidade em ponto de virada
A diferença agora é que talvez exista menos espaço para uma adaptação silenciosa. Quando Isak e Gakpo estão disponíveis e produzindo, Wirtz pode crescer gradualmente enquanto outros jogadores assumem a responsabilidade pelos gols. Se Iraola perder parte dessa dupla, o investimento realizado no alemão naturalmente ganha ainda mais atenção.
Isso não significa que ele precise responder necessariamente com uma sequência imediata de gols. Para mim, o primeiro avanço passa por participar mais das jogadas decisivas, encontrar espaços entre as linhas, acelerar ataques e aproximar quem ocupar a referência ofensiva. O protagonismo pode aparecer antes no funcionamento coletivo e somente depois se transformar em números individuais.
Há ainda um fator que aumenta o tamanho dessa oportunidade. O próximo compromisso do Liverpool na Premier League será contra o Manchester City, em Anfield, no dia 11 de outubro. A condição de Isak e Gakpo será acompanhada até lá, especialmente porque o sueco deixou sua seleção com o problema classificado inicialmente como leve.
Wirtz, portanto, chega às próximas semanas diante de uma situação diferente daquela encontrada no começo da temporada. Iraola pode perder duas peças que concentraram boa parte dos gols, enquanto o alemão procura justamente a atuação capaz de mudar sua trajetória inicial em Anfield.




