O Liverpool mudou bastante desde a chegada de Andoni Iraola, mas a reformulação do elenco ainda não eliminou todas as necessidades do treinador. Depois de uma janela marcada por investimentos importantes e alterações em diferentes setores, o meio-campo continua apresentando situações que exigem ajustes. É nesse contexto que o interesse em Alex Scott ganha um significado maior do que simplesmente reunir técnico e jogador novamente.
O meio-campista do Bournemouth voltou a ser relacionado aos Reds nos últimos dias. Liverpool, Arsenal e Chelsea estão entre os clubes apontados como interessados, enquanto os Cherries pretendem mantê-lo pelo menos até o fim da temporada. A postura praticamente fecha uma saída em janeiro, mas mantém aberta uma discussão importante para as próximas janelas.
Scott possui uma vantagem que considero especialmente relevante nesse cenário: conhece exatamente aquilo que Iraola exige. Os dois trabalharam juntos no Bournemouth, onde o jogador se transformou em uma das peças mais confiáveis do treinador. Na temporada passada, participou de 625 dos 630 minutos disponíveis nos sete jogos em que os Cherries pontuaram contra Arsenal, Manchester City, Manchester United, Liverpool e Chelsea.

Não é apenas uma questão de confiança pessoal. Scott foi utilizado como camisa 6, 8 e 10 por Iraola, algo que ajuda a entender por que uma possível transferência teria sentido para o Liverpool. O inglês consegue participar da recuperação da bola, conduzir em transição e avançar para apoiar o ataque sem necessariamente limitar sua atuação a uma única zona do campo.
Iraola ainda procura equilíbrio no meio-campo
Essa versatilidade ganha importância quando observo aquilo que o Liverpool apresentou nas primeiras semanas da temporada. Ryan Gravenberch, Alexis Mac Allister e Dominik Szoboszlai oferecem diferentes qualidades com a bola, mas a equipe ainda procura uma estrutura capaz de manter intensidade e equilíbrio quando perde a posse. A necessidade ficou especialmente evidente no empate sem gols com o Fulham.
Naquela partida, Gravenberch venceu dois de cinco duelos, enquanto Szoboszlai ganhou apenas um de nove. Iraola, porém, recusou a ideia de responsabilizar exclusivamente seus meio-campistas. O treinador explicou que a pressão precisa funcionar coletivamente para permitir recuperações mais altas e melhores condições para iniciar ataques rápidos.
É justamente aí que Scott se torna interessante. Na última temporada, apenas dois meio-campistas recuperaram a posse mais vezes na Premier League. Ele também terminou entre os dez melhores da posição em interceptações e duelos vencidos, enquanto sua taxa de sucesso nos duelos pelo chão chegou a 56%, contra 47% em sua primeira campanha pelo Bournemouth.
O inglês também oferece algo importante depois da recuperação. Foram 431 conduções na Premier League passada, oitavo maior número entre os meio-campistas, com aproximadamente metade delas consideradas progressivas pela Opta. Scott ainda terminou com o sexto maior número de corridas de apoio entre todos os jogadores da competição.
Para mim, esses números ajudam a diferenciar necessidade de oportunidade de mercado. Scott não seria interessante apenas porque trabalhou com Iraola. Seu perfil permitiria ao Liverpool acrescentar capacidade de recuperação sem abandonar a progressão rápida que o treinador pretende implementar em Anfield.
Relação com Iraola pode diminuir período de adaptação
Existe outro detalhe que considero relevante depois de uma reformulação tão profunda. Iraola ainda trabalha para fazer jogadores com características diferentes assimilarem seus métodos, principalmente sem a bola. Scott chegaria conhecendo movimentos, intensidade e responsabilidades exigidos pelo espanhol.
Isso não significa que sua contratação resolveria automaticamente os problemas do Liverpool. O próprio jogador ainda possui aspectos a desenvolver. Apesar de sua influência em diferentes fases do jogo, havia acumulado apenas quatro gols e três assistências em 89 partidas de Premier League até julho, mostrando que sua produção no último terço ainda poderia crescer.
Há também um obstáculo financeiro considerável. O Bournemouth rejeitou uma oferta de £64 milhões do Chelsea no último mercado e, segundo informações recentes, trabalha internamente com uma avaliação que pode chegar a £100 milhões. Além disso, o clube não pretende discutir uma saída em janeiro.




